Dizem que “saudade” é uma palavra que só existe na nossa língua, e talvez seja porque nós, brasileiros, sentimos com muita intensidade.
Quando alguém que amamos parte — seja para o outro lado da vida ou para longe de casa — fica um vazio imenso no peito. No começo, esse vazio dói. Ele aperta, tira o sono e faz os dias parecerem cinzentos.
Mas eu quero te convidar a olhar para esse sentimento com outros olhos hoje.
A saudade não é o oposto do amor; a saudade é a presença do amor que ficou.
Ela é a prova concreta de que você viveu algo intenso, verdadeiro e que valeu a pena. Se não tivesse havido tanto amor, não haveria tanta falta.
O desafio, minha amiga, não é deixar de sentir saudade (isso seria esquecer, e nós não queremos esquecer). O desafio é tirar a dor da saudade e deixar apenas a doçura da lembrança. Vamos aprender como fazer isso?
Mude o foco: do “fim” para o “meio”
Quando perdemos alguém, temos a tendência de focar muito na despedida, na doença ou na ausência. Nossa mente fica replayando o final do filme.
Mas a vida dessa pessoa não foi apenas o fim. Foram anos de risadas, de almoços de domingo, de conselhos, de abraços.
Para transformar a dor em lembrança bonita, você precisa escolher lembrar da vida, não da partida.
Quando a tristeza vier, force a sua mente a buscar uma memória feliz. Lembre-se de uma piada que ele contava, de como ela arrumava o cabelo ou de uma viagem que fizeram.
Resgate o sorriso que existiu. Não deixe que o momento triste da despedida apague anos de alegria compartilhada.
Fale sobre eles com alegria
Muitas vezes, paramos de falar o nome de quem se foi porque temos medo de chorar ou de deixar os outros desconfortáveis.
Mas o silêncio faz a dor crescer no escuro.
Uma das formas mais lindas de curar a saudade é transformá-la em história. Conte para os seus netos quem foi o avô deles. Conte para as novas amigas quem foi aquela pessoa especial.
Diga: “Sabe, seu avô adorava comer isso aqui” ou “Minha mãe sempre dizia tal coisa…”.
Ao trazer a pessoa para a conversa do dia a dia com leveza, você percebe que ela continua viva no legado que deixou. Quem é lembrado com amor, nunca desaparece totalmente.
A gratidão cura a sensação de perda
A dor da perda vem do pensamento: “Por que ele foi embora?”. A beleza da lembrança vem do pensamento: “Obrigada, Deus, porque ele existiu na minha vida.”
Essa pequena mudança de frase muda a química do seu cérebro e a paz do seu espírito.
Experimente agradecer pelo tempo que vocês tiveram juntos, mesmo que pareça que foi pouco. Agradeça pelos ensinamentos. Agradeça pelo privilégio de ter cruzado o caminho daquela alma.
A gratidão é o único sentimento capaz de preencher o buraco da falta. Ela enche o vazio com reconhecimento.
Crie um “ritual de memória” feliz
Em vez de chorar olhando fotos antigas no escuro, crie momentos de celebração.
Que tal fazer aquela receita de bolo que a sua mãe fazia, e convidar a família para comer em homenagem a ela?
Ou então ouvir a música preferida do seu marido e sorrir, lembrando de como ele gostava de cantarolar?
Transforme a saudade em ação. Faça algo bom em honra a quem partiu. Pode ser cuidar do jardim que ele amava ou fazer uma doação que ela faria.
Quando você movimenta a energia do amor, a angústia vai embora e fica uma sensação morna e gostosa de conexão eterna.
Eles vivem em você
Olhe-se no espelho. Talvez você tenha o sorriso do seu pai, a força da sua mãe ou os gestos de alguém que amou muito.
Você é a continuação deles aqui na Terra.
A melhor maneira de honrar quem já se foi é vivendo a sua vida com plenitude e alegria. Eles não gostariam de te ver prostrada pela tristeza.
Eles gostariam de ver você sorrindo, se cuidando e amando, levando adiante a luz que eles acenderam no mundo.
Enxugue as lágrimas, minha querida. Olhe para o céu e sorria. O amor é um laço eterno que nem o tempo e nem a distância podem desatar.
Que o seu coração se acalme e que a sua saudade se transforme hoje em um jardim florido de boas memórias.
Fique com Deus.
Foto de Vitaly Gariev na Unsplash